Sempre comento neste espaço sobre cães e crianças serem excelentes companheiros, parecendo até feitos um para o outro. Ou, como brinca a cantora e tradutora Deborah Freire, "criança e cachorro deveriam ser vendidos juntos" ("adotados juntos" também seria tudo de bom). Sempre comento também que crianças devem ser orientadas para tratarem cães não como "brinquedos", e os bichos são ótimos para ajudar a desenvolver nos pequenos grandes donos o senso de responsabilidade.
Pois bem, agora é a vez de comentarmos a situação inversa: quando os "filhos" caninos chegaram primeiro e devem ser educados para conviver com um tipo diferente (para eles) de companheiro que está a caminho. Sim, um bebê, novidade das novidades. Imaginem o assombro e potencial ansiedade do cão ao descobrir que existe um ser que não é nem peludo, como ele ou um gato, nem comprido que anda sobre apenas duas pernas, como os adultos e crianças maiores da casa, e que fica dormindo mas começa a chorar e gargalhar quando menos se espera.
A cegonha costuma enviar os primeiros avisos com meses de antecedência, tempo suficiente para preparar não só a casa, mas também seus habitantes. Imagine você dando de mamar ao bebê e de repente um tsunami peludo vem invadir teu colo pedindo a atenção que você sempre deu. Ou, mal o nenê começa a chorar, o cão estranha e zarpa em direção a ele, podendo até derrubar o berço. E isso se o cão não for do tipo feroz, pois aí é bom nem imaginar. Mas não é tão difícil assim prevenir.
Preparando o caninoPrimeira coisa: o cão - assim como o gato, o pássaro e outros bichos de estimação da casa - deve estar com a saúde em ordem, bem limpinho e escovado e de unhas cortadas. É aconselhável castrar o cão, não só a bem da saúde dele, mas também para reduzir sua agressividade potencial.
Segunda: treinar um cão para conviver com crianças, especialmente as muito pequenas, é como dirigir automóvel. Não se aprende de uma hora para outra e não se faz "mais ou menos". O bicho deve estar muito bem treinado para obedecer aos comandos básicos de "senta", "vem", "vá", "fica" e "deita", não esquecendo a coleira se o cão for de grande porte. A máxima "conhece seu cão como a ti mesmo" (não é muito antiga, criei agora, mas errada também não é) também vale: observe se ele demonstra agressividade com crianças, visitas estranhas e outros cães ou bichos. É aconselhável fazer o teste de Volhard para descobrir e avaliar o temperamento do cão; se ele for extremamente dominante e agressivo, nem deverá ser deixado sozinho com crianças, idosos ou outros animais.
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/01102009/48/entretenimento-cao-irmao-humano.html